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O Cheiro dos Livros

Depois de ser uma aventura radiofónica resume-se agora a uma forma de manter a minha biblioteca pessoal organizada...

O Cheiro dos Livros

Depois de ser uma aventura radiofónica resume-se agora a uma forma de manter a minha biblioteca pessoal organizada...

O Eléctrico 16 de Filomena Marona Beja

Milheiras, 20.09.14

O Eléctrico 16

 

 

Opinião:

 

Terminei hoje de ler este livro o Eléctrico 16.

Mais uma autora/Escritora que descobri e fiquei fascinada...

Vou querer ler outros livros da autora....

Um enredo fascinante passado entre 2 tempos, tão próximos e aos mesmo tempo tão distantes....

e mais uma vez a cumplicidade de relações entre a avós e netos...

Atrevo-me a dizer e a fotografia de um povo que se desiludiu com a democracia...E que a vai perdendo todos os dias...

 

Excerto:

 

"- Bem, vai lá....

E votar?

-... não vais votar, Fernanda?

- Eu?!

Nem sequer sabia onde estava inscrita.

 

(...)

 

Pouca gente pelas ruas.

Muito pouca a caminho da Escola secundária, ou das outras assembleias de voto.

- A abstenção vai subir...

Subia, de eleição para eleição.

- Mas não custa nada votar, Vó!

Pois não. Uns minutos numa fila, como se via na televisão.

Um papel dobrado em quatro. uma urna.

- E então?...porque é que as pessoas não votam?

Ter de escolher.Decidir.

Ou simplesmente por distracção.

 

Onze horas. A cadeira de Helena a chegar ao pátio da Escola. Joana empurrava.

Uma câmara a proximar-se. Jornalistas. Ia votar porquê?

Por ser livre de o fazer."

 

Sobre um vulcão de José Pereira de Lima

Milheiras, 18.09.14

 

Opinião:

 

Terminei de ler esta obra a 3 de Julho de 2014.

É uma obra fascinante, daquelas que temos em casa uma vida inteira e um dia decidimos arriscar e ainda bem que o fiz.

Não sei como foi parar lá a casa nem de quem era. Na Internet também não muitas informações sobre o autor.  Mas para mim este livro foi escrito por uma pessoa com uma genialidade incrível. E fez-me descobrir quem sou.

Datada de 1929 e editada pelo autor, ficamos a saber pelo prefácio que é a primeira obra de José Pereira de Lima.

No entanto o enredo tem lugar antes de 1910, mas se retirarmos a monarquia de campo, podia ser um enredo da actualidade.

E como é possível que um livro com quase 100 anos se mantenha tão actual. Digo eu: muito mal vai o nosso país, para não ter havido uma evolução...

Um livro de pequenas dimensões e de 201 páginas. Dos tais que eu gosto que são fáceis de ler mas que nos dão muito em que pensar.

 

Excertos:

 

(...)

 

" Não me prendo com dogmatismos, dizia ela, apesar de que aceito com a melhor vontade a moral e os belos conceitos espendidos nela. Quero crêr e compreender livre de peias e não admito nem regeito o que me dizem por me garantirem: - Isto é bom ou aquilo é mau. Tenho a minha convicção entrará no meu espirito."

 

(...)

 

" - Ah! É para lamentar!...Esquecia-me de que a menina não gosta destes graves assuntos...É uma revolucionária....Foi o que no colégio lhe souberam ensinar? Se eu tenho adivinhado! Nunca teria permitido que tivesse saído para longe de mim. Mas, gabaram-me tanto a educação cuidada que lá se recebia, que eu consenti para ma estragarem com ideias exquisitas.

- Exquisitas, não minha querida mãe, diga antes ideias novas, livres da rotina. Não me estragaram como julga, mas ensinaram-me a pensar pela minha cabeça e não pela dos outros. É o que é."

 

(...)

 

"a Igreja é o refúgio de todos os desgraçados, que não deixaram de ser socorridos e aconselhados por ela nos dolorosos transes da vida. O mesmo não sucede aos que aplaudem as ideias subversivas. O mínimo que lhes pode acontecer é duvidarem de tudo e de todos, até se toranrem materialistas, o que é mil vezes mais perigoso do que a morte: é o suicídio do espírito. perderam a consolação da fé, e crendo unicamente no nada, acabam por se matar, julgando põr termo a tudi, mas não dão mais do que o acesso aos horriveis sofrimentos que os esperam no inferno."

 

(...)

 

" - Direi que não é com esta rivalidade de crenças para crenças que se conseguirá melhorar o mundo; o ódio não se paga com ódio. (...) A minha filosofia que tanto condenam, só deseja harmonisar as diferentes crenças perante a minha consciência, porque, julgando-as todas sinceras, vejo que o seu papel é preponderante, beneficiando a humanidade, melhorando-a, educando-a e servindo de freio a ruins paixões.

 Já não estamos na Idade Média, mas im no sécuo XX, por isso temos de nos adaptar ao novo meio. devemos abandonar a rotina de tantos séculos para entrarmos plenamente na luz da alvorada que raia para a nova geração, estudando tudo, pondo de parte dogmas e mistérios, que o cérebro já não aceita sem protesto, e que é dever de todo aquele que pensa explicar ao vulgo que ainda não percebe."

 

(...)

 

" a filosofia da actualidade, aquela que sigo reconhece Deus, não um ser antromorfo, mas alguma cousa mais sublime e grande, alguma cousa que o olhar do homem não apercebe, que a sua mente não descortina, mas de que vê efeitos na inteligência, na influência, na força incalculável, na flôr que desabrocha, no arroio que sussura, na catarata que se despenha, pelas altas fráguas, num estrondear terrível, no raio que fulgura, no trovão que ribomba, na luz que nos deslumbra e no cérebro que pensa. É em tudo isto que eu vejo a acção de Deus, a força da providência, o poder da Natureza, nomes diferentes, com que os homens, de todas as épocas, têem procurado explicar tudo o que não entendem, tentando, em vão, definir com qualquer palavra o Incognoscivel, medir o Infinito de tudo o que nos rodeia."

 

(...)

 

" Vai raiar um novo sol de Liberdade espancando para bem longe a nuvens sombrias que nos asfixiam. As prerogativas doas grandes senhores cairão por terra como ídolos de barro; a igualdade será um facto; acabar-se-hão as distinções de classes, o povo, êsse bom povo trabalhador e obscuro, terá horas de paz e de felicidade, poderá, como os outros, ascender aos mais altos cargos, desde que tenha inteligência e seja honrado. Ha tantos talentos desconhecidos e ignorados nêsse pobre e humilde povo! É ver como qualquer ideia nobre e elevada lhes empresta uma eloquencia arrebatadora e os faz levar após si centenares de pessoas. Como é lindo o nosso sonho!"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Eléctrico 16 de Filomena Marona Beja

Milheiras, 23.08.14

 

 O Eléctrico 16

 

Título: O Eléctrico 16
Autor:  Filomena Marona Beja
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 264
Editor: Divina Comédia
ISBN: 9789898633040

 

 

Sinopse
A história de Helena que cresceu em Lisboa, num Portugal mergulhado na ditadura, e envelhece, agora, num país em crise.
Joel e José Emílio. A paixão e a razão.
Salazar. Opressão e repressão. A Segunda Guerra Mundial e a Guerra Colonial. Humberto Delgado.
A esperança de liberdade…
As evoluções e conquistas da nossa época, e o retrocesso resultante do momento de crise que atravessamos.
A história de Helena é um pouco a nossa História, a história de muitas mulheres que viveram dos meados do século XX até aos nossos dias.

Sobre um vulcão de José Pereira de Lima

Milheiras, 06.06.14

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Título: Sobre um Vulcão

Autor: José Pereira de Lima

Edição de Autor

Ano: 1929

 

É uma obra fascinante, daquelas que temos em casa uma vida inteira e um dia decidimos arriscar e ainda bem que o fiz.

Datada de 1929 e editada pelo autor, ficamos a saber pelo prefácio que é a primeira obra de José Pereira de Lima.

No entanto o enredo tem lugar antes de 1910, mas se retirarmos a monarquia de campo, podia ser um enredo da actualidade.

 

Prólogo:

 

"O Amor, quando é puro grande e forte,

Resiste á dôr, em toda a tempestade.

Não há transe cruel que não suporte

Inalteravel, como duro jade.

 

Arrosta, sem receio, a própria morte

E espalha com tal força a claridade,

Tão impavidamente busca o norte

Que consegue atingir a Divindade.

 

Amor assim é tão raro na terra,

Que vivêmos, conôsco, sempre em guerra

Levando a vida a procurá-lo em vão!

 

Que assim, como os heroes, deste meu livro

Encontrem os leitores um amor vivo

Que lhes sublime e alente o coração. "

 

 

 

 

 

Rapsódia Alentejana de Branca Braga de Macedo

Milheiras, 30.03.14

 

 

Título: Rapsódia Alentejana

 

Autor:  Branca Braga de Macedo

 

 

Acabei de ler hoje este livro, era daqueles que andavam lá na prateleira e ainda não me tinha apetecido ler....

É um livro de memórias que a autora salpica de alguma ficção. No entanto tenho de ser honesta não gostei muito do livro, talvez porque conheço bem demais a vila Alentejana onde se desenrolam a maior parte das histórias.

Sei, que muitas delas fazem parte da vida real e noutros tempos eram assim que se passavam, e até nos nossos dias se passam.

Mas acho que o livro se foca no lado sombrio e escuro, e não é esse lado,  que eu gosto de recordar...

Rapsódia Alentejana de Branca Braga de Macedo

Milheiras, 25.03.14

 

Título: Rapsódia Alentejana

Autor:  Branca Braga de Macedo

 

Editora: Bertrand Editora

Data de Publicação: 2006

Encadernação: Capa Mole - 116 páginas páginas

Idioma: Português

ISBN: 9789722515122

 

Sinopse

O titulo, "Rapsódia Alentejana", remete, ao longo do livro, para andamentos musicais (Scherzo, Andante, etc.) São certamente apontamentos/melodias ou talvez aguarelas incisivas da vida quotidiana de outros tempos da localidade alentejana. São lembranças de vultos, com as suas qualidades e vícios, de pequenos factos próprios de uma comunidade bem característica não só do Alto Alentejo, como também de um Portugal em vias de extinção. Com referências à primeira metade do Século XX, e mais concretamente aos anos sessenta e oitenta, estes textos retratam tipos sociais, profissões, costumes, tradições, testemunhadas e vividas pela "narradora".

A revolução dos cravos de sangue - Gerard de Villiers

Milheiras, 24.03.14

A Revolução dos Cravos de Sangue

 

E porque para o mês que vem faz 40 que se deu o 25 de Abril, apeteceu-me tirar este da prateleira....
E ainda bem que tirei...
O livro  com uma linguagem acessível, e é fácil de ler....
Um enredo bem construído que nos envolve.
É engraçado ver a nossa história e o nosso país com os olhos de quem está de fora....
Em 1975, Gerard de Villiers, vê um país que só 39 anos depois faz bastante sentido.
"- Um dia, isto vai fechar - suspirou Steve Thomas. - O país despovoa-se."
Ou melhor que só 40 anos depois alguns entendem, o que falhou....
"Malko desceu a Avenida da Liberdade, cujos largos passeios estavam ocupados pela Feira do Livro, ao ar livre. Os manuais de comunismo continuavam em pilhas, mas as obras pornográficas vendiam-se como pãezinhos quentes...Depois de quarenta anos de privações, os portugueses estavam com vontade de recuperar o tempo perdido. Malko procurou não tirar uma conclusão política a partir desse facto..."
E eu também...

A revolução dos cravos de sangue - Gerard de Villiers

Milheiras, 19.03.14
A Revolução dos Cravos de Sangue
E porque para o mês que vem faz 40 que se deu o 25 de Abril, apeteceu-me tirar este da prateleira....
Sinopse
Estamos em Portugal, no rescaldo do 25 de Abril, e Lisboa é um tabuleiro de xadrez onde CIA e KGB jogam uma partida mortal. Os serviços secretos americanos, desesperados por apenas terem sabido do golpe de Estado através dos jornais, esforçam-se para impedir que Portugal caia nas mãos do comunismo. Do outro lado, a KGB tem em mente um plano diabólico e põe em campo os seus melhores agentes. É então que um golpe de teatro promete desequilibrar esta guerra fria: Natália Grifanov, mulher de um poderoso coronel da KGB, está disposta a passar para o Ocidente e a relatar todos os segredos que sabe. Para organizar essa deserção a CIA escolhe o seu melhor agente: Malko Linge. Mas nem ele conseguirá levar a cabo esta missão sem evitar danos colaterais. E é então que, nas ruelas de Alfama e nos palácios da Lapa, entre traições e assassinatos, a Revolução dos Cravos mostra a sua outra face. Um thriller soberbo e original, passado no pós 25 de Abril de 1974.