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O Cheiro dos Livros

Depois de ser uma aventura radiofónica resume-se agora a uma forma de manter a minha biblioteca pessoal organizada...

O Cheiro dos Livros

Depois de ser uma aventura radiofónica resume-se agora a uma forma de manter a minha biblioteca pessoal organizada...

Não há Seda nas Lembranças de Jorge Serafim (Opinião)

Milheiras, 07.04.20

Iniciei  a leitura em Agosto de 2015 e terminei no início de Setembro de 2015

A minha opinião:

Este foi sem dúvida um livro que foi um murro no estômago. Uma obra fascinante!!!

De um autor que nos dá sempre o seu lado mais comediante...

Depois presentea-nos com uma obra como esta, inesquecível, dura , mas ao mesmo tempo tão realista...

Um dos melhores livros que li em toda a minha vida...

Excertos:

(...) Cá para mim, esta guerra parece-me igual a todas as outras. Os que têm contra os que não têm! Os que podem ter contra os que também querem ter. Os que mandam em tudo contra os que não mandam nada. Os que querem mais contra os que têm de menos. Os de barriga cheia contrs os de barriga vazia. Não me estão a dar novidade nenhuma...Portanto, cá se vai andando com a ganância ente orelhas.(...) pp. 67

(...) Extiguiram as ordens religiosas e nacionalizaram os seus bens enquanto uma certa burguesia endinheirada, canalhas mais propriamente, apoiante da causa liberal, se apropriou de muito do património vendido ao desbarato pela Fazenda Pública. (...) Manipulam-se as populações anónimas e humildes para confrontos que se perderam dos ideais nas barrigas dos avaros e sobram ódios e vinganças cruentas que atravessam gerações. (...) pp. 74

(...) O que eles argumentam, filho, é que não se pode parar o progresso. E o progresso para essa gente sem respeito por coisa alguma é alargar ruas, desembocá-las em avenidas imaginadas, ordenar espaço para as máquinas circularem em vez de pessoas, projectar o futuro por cima de tudo e de todos, precaver a solidez financeira. Perspectivam mas não ouvem!.. E tudo o que se atrevessou à sua frente, foi abaixo! É isto o progresso, dizem eles... (...) pp.78

(...) A história repete-se, as pessoas quando não têm esperança, desfazem-se de tudo para que a salvação das almas seja bem encomendada. A manutenção dos medos dá muito dinheiro... pp. 131

(...) A vida é como um relógio, amiga. Se não lhe limpar as impurezas, se não se olear os seus mecanismos, se não se lhe der corda, emperra. Obstrui-se. Nem a dor desagua nem a alegria tem caudal. Foi o que lhe sucedeu.. pp. 135

 

(...) O Ciclo da terra deveria ser o ciclo dos homens! (...) pp. 146

Título: Não há Seda nas Lembranças

Autor: Jorge Serafim

Edição/reimpressão: 2014

Páginas: 168

Editor: Âncora Editora

ISBN: 9789727804740

Coleção: Holograma

 

 

Diário de Viagem Bertrand

Milheiras, 07.03.20
 
Bertrand.pt - Diário de Viagem Bertrand
 
Título: Diário de Viagem Bertrand
ISBN: 9910000077210
Ano de edição ou reimpressão: 10-2010
Editor: Bertrand Livreiros
Idioma: Português
Dimensões: 147 x 207 x 4 mm
 

Este é o teu Diário de Viagem.
Com os livros, podes viajar para onde quiseres e descobrir um mundo fantástico de conhecimento e diversão.
E, neste diário, podes contar todas essas aventuras.
Boa viagem!

 

Opinião: Este é um livro fantástico, que estimula os miúdos e graúdos a registarem o que já leram, depois de a Bertrand, infelizmente ter descontinuado o Diário de Leituras para graúdos este pode ser uma solução...

Por Acaso - Casos de Vida, Casos de Morte de Lara Morgado (Opinião)

Milheiras, 29.01.18
 Opinião:
 
Como já vem sendo habitual com esta autora (Lara Morgado), demoro um dia a ler os seus livros, esta é a 2ª obra que leio dela. O Sete Minutos, foi uma obra que me fascinou tal como este Por Acaso. Continuo a achar que é necessário ter uma mente aberta para compreender os livros de Lara Morgado.
Este Por Acaso, tocou particularmente e mais uma vez voltei a ter a confirmação que os livros na minha vida não aparecem por acaso... Tinha perdido um amigo para o suicido, nem à 8 dias. E no ano passado também tive a noticia de um aborto retido. Fez-me lembrar o livro "Responde-me" de Susanna Tamaro
 
Excertos:
"«Pode ser que se tenha enganado», pensou, sentindo o coração assustadoramente acelerado."
(...)
" Eles sabiam lá aquilo que ela estava a sentir." pp36
 
(...)"É curioso pensar que o futuro é aquilo que nos levanta, aquilo que nos faz avançar , ter pressa ou preguiça, mas o futuro não é a vida, é só a sua suspeita, por isso, temos de nos contentar com o presente para viver.
E eles sabiam tão bem disso agora, a viver este presente, que não deixa que o futuro os salve. " pp38
 
É engraçado como qualquer existência ocupa lugar, mesmo antes de nascer. Isto de existir tem muito que se lhe diga. Quando começamos a ser o que somos? Qual foi o segundo em que a nossa identidade apareceu? Quando entramos na escola primária? No segundo dia de vida? Quando fizemos 18 anos? Quando respiramos pela primeira vez? Quando compramos casa? Aos 4 meses de gestação? Como é que raio isto funciona? "pp39
 
 
(...)"Tudo se desenrola como um parto normal, as dores, as contracções, tudo, com a devastadora diferença de não haver recompensa." (...) pp40
 
(...) " Mas aqui as dores estavam por todo o lado e eram apenas um meio de mostrar a morte." pp41
 
 
"Todos os caminhos são únicos. E é o nosso caminho que faz a nossa identidade. E a nossa identidade é sem dúvida aquilo que nos faz sentir vivos. Desde que nascemos abrimos os olhos para esta enorme coisa que temos à frente, a vida.  pp175
 
 

Wook.pt - Por Acaso - Casos de Vida, Casos de Morte

 

 

Título: Por Acaso - Casos de Vida, Casos de Morte

Autor:  Lara Morgado

ISBN: 9789897020407

Edição ou reimpressão: 01-2012

Editor: Editora Guerra & Paz

Idioma: Português

Encadernação: Capa mole

Páginas: 187

 
 
 
 
Sinopse

Um homem entra no consultório de uma psicóloga e diz-lhe: «Venho despedir-me. Hoje vou suicidar-me!» E se não fosse ficção. Se fosse a pura realidade. Neste livro, a psicóloga Lara Morgado centra-se em quatro casos de vida ou de morte.

Quatro casos reais:

Uma jovem é abandonada pelo namorado na semana do casamento. Um talentoso estudante tem um acidente e fica paraplégico. Um casal à espera do primeiro filho descobre que o bebé está morto na barriga da mãe. Uma mãe de família com dois filhos, logo a seguir à morte do marido, é despedida.

O que dizem e o que se pode dizer a estas pessoas em sofrimento? Qual a chave para resistir aos terríveis acasos da vida? Deus? A palavra do especialista? A força interior de cada um de nós?

Por Acaso - Casos de Vida, Casos de Morte é um livro surpreendente: nasce da vida, destes casos de vida, e mostra-nos que a doença e a cura estão na própria vida. Na vida e nas mãos de cada leitor.

«Vamos fazer um último jogo os dois. Se ganhar, continua o seu plano de acabar com a sua vida e eu estarei no seu funeral; se perder, terá que continuar vivo.

Agenda de Gerontologia 2017 "Aprender, envelhecer...SER! de Sandra Paula Barradas e Albertina Lima Oliveira

Milheiras, 05.01.17

 

Nenhuma descrição de foto disponível.

E

pronto

cá esta uma Agenda

fantástica, para inauguarar o ano de 2017. Tem de ser um bom presságio!!!

 

Título: Aprender, envelhecer...SER

Autores: Sandra Paula Barradas e Albertina Lima Oliveira

Editora: Alma Letra Edições

ISBN:978-989-20-7185-5

Edição: Dezembro de 2016

 

 

 

Foto de Alma Letra.

 

 

Viver com Alzheimer de Jose Luis Molinuevo (Opinião)

Milheiras, 21.09.16

A minha opinião:

Este livro é fantástico, escrito por um médico com uma linguagem simples acessível, desmistifica muito a doença de Alzheimer, toda a gente devia ler este livro mesmo que não tenho relação com nenhum doente. Também a mim me fez compreender a doença, claro que despertou a minha curiosidade em ler outros livros com perspectivas diferentes sobre o tema. Mas sem dúvida que é um livro ao qual vou recorrer muitas vezes.

 

Excerto:

" Como mencionámos previamente, a memória episódica (recente) costuma ser afectada numa fase inicial, enquanto a memória longo prazo (remota) se conserva até fases mais avançadas da doença. Em fases mais avançadas da doença surgem outros sintomas, como a dificuldade de orientação em lugares familiares, os problemas como manuseamento de dinheiro ou de instrumentos domésticos como o telefone ou a máquina de lavar roupa, a dificuldade em ler e escrever ou em reconhecer caras familiares. Estes sintomas reflectem a afectação de outros domínios cognitivos, como a orientação, a capacidade motora, a linguagem e o reconhecimento. " pp17

 

" Primeiro são as actividades mais complexas, como as relações sociais ou a actividade laboral, que se vêem afectadas, e depois seguem-se as actividades instrumentais, como o manuseamento de objectos domésticos, de dinheiro, de utensílios de cozinha e da lida doméstica. Finalmente, são as actividades básicas do quotidiano  ser afectadas, como a higiene, o vestir, a alimentação e o controlo dos esfíncteres. "pp18

 

"Um exemplo de memória implícita é a aprendizagem das habilidades motoras: por exemplo, andar de bicicleta. (...) Esta memória não costuma a ser afectada pelo Alzheimer, (...)." pp 20

 

"Apesar de, em 90 porcento dos casos, o Alzheimer se manifestar inicialmente com um problema de memória, existem outros padrões menos conhecidos e habituai. Há pessoas, por exemplo, que vã perdendo a visão. Nestes casos, a experiência da cuidadora costuma ser desconcertante quando conhece o diagnóstico, visto habitualmente é preciso cumprir uma longa peregrinação por oculista, oftalmologistas até chegar ao neurologista que finalmente diagnostica aquilo que tecnicamente se designa como atrofia cortical posterior, afectação fundamental das áreas posteriores da região parietal-occipital que também é uma manifestação da doença." pp 23

 

" A mente refugia-se num sistema confortável que nos faz sentir eternos, que nos faz esquecer os aspectos relacionados com a morte e a fragilidade da nossa existência. Isto tranquiliza-nos e faz-nos pensar que temos tempo para fazer tudo aquilo que queremos fazer. Mas o que a realidade nos diz, por seu lado, é algo radicalmente diferente: se estamos convictos e queremos algo na vida, temos de o fazer já, porque a única coisa que temos é  presente." pp 35

 

" O amor que estamos a falar é o amor de entrega incondicional, de entrega pura, de entrega inerente ao ser humano, um amor que nos faz sentir que somos todos o mesmo. Assim, este é o amor que está sempre presente e , de facto, se nos relaxarmos e aceitarmos naturalmente o processo, o amor flui. Os pacientes serão sempre capazes de detectar as pessoas que lhe são queridas, mesmo em fases em que tenham perdido completamente a capacidade de reconhecer quem são. Aliás, podem mesmo não saber concretamente de quem se trata, mas sentem que essa pessoa lhes é próxima, querida e amada. Esse amor pode manifestar-se simplesmente através do olhar."pp 126

 

Título: Viver com Alzheimer
O amor não se esquece
Autor: Jose Luis Molinuevo

 

Edição/reimpressão:
Páginas: 168
Editor: Pergaminho
ISBN: 9789896871895

 

Sinopse

Este livro destina-se a servir de apoio a todas as pessoas que têm a seu cuidado familiares ou entes queridos que padecem da doença de Alzheimer. Ou seja, é uma obra destinada a todos aqueles que estão a viver um «luto em vida»: um luto, devido à sensação constante de perda que a progressão da doença causa; e «vivo» porque implica cuidar de uma pessoa que está em constante mudança.
A relação entre o paciente e o prestador de cuidados é sempre complexa e de difícil equilíbrio; quando o prestador de cuidados é um familiar, esta complexidade torna-se ainda maior. Viver com Alzheimer ajuda a compreender esta dinâmica e a criar uma relação mais equilibrada, potenciando as vantagens da intimidade criada entre ambos e ajudando a proteger a sua vulnerabilidade.
Ao longo destas páginas, encontrará esclarecimentos práticos e acessíveis acerca da natureza, da sintomatologia e da progressão da doença de Alzheimer. Este conhecimento permitir-lhe-á fazer uma gestão mais adequada das suas expectativas, comunicar de forma mais eficaz tanto com a pessoa afetada pela doença como com os restantes familiares ou amigos e, sobretudo, adquirir ferramentas para se adaptar da melhor maneira possível a uma realidade em constante mudança.

 

Terminei de de ler a 29-09-2015

A Vida É Simples, se a Descomplicarmos de Mar Cantero Sanchez (Opinião)

Milheiras, 11.08.16

Início da Leitura: Maio de 2016

Fim da leitura: 11 de Agosto de 2016

 

Como todos os livros de auto conhecimento faz-noz pensar em nós, de leitura fácil, com exercícios simples e práticos.

Foi o livro que eu necessitava, numa fase de desemprego pela primeira vez, com uma criança pequena e sem quaisquer objectivos... Estava um pouco perdida.

Não posso dizer que me ajudou a encontrar o caminho, mas ajudou-me a não sair dele...

Sem dúvida um livro para voltar a ler...

 

 

Título: A Vida É Simples, se a Descomplicarmos
20 Ideias para Aprender a Simplificar e Ser Feliz
 
Autor: Mar Cantero Sanchez
 
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 288
Editor: Nascente
ISBN: 9789896683214
 

Galveias de José Luís Peixoto (Opinião)

Milheiras, 29.09.15

A minha Opinião:

Galveias, engana-se quem pensa que fui influenciada pelo nome do romance. Mas não tenho a menor dúvida que de todos os livros do José Luís Peixoto que já li (só me falta ler Dentro do Segredo, e que vai ser lançado para o mês que vêm Em teu ventre) esta é a obra! Um livro lindo, de fácil leitura, mas suficientemente complexa para nos deixar a pensar! Uma trama apaixonante que quase nos obriga a devorar o livro! Sem dúvida, que se a suas obras continuarem a evoluir assim será o próximo Nobel português!!! Um génio!

 
Excerto:
 
  "Todos temos um lugar onde a vida se acerta. Cada mundo tem um centro. O meu lugar não é melhor que o teu, não é o mais importante. Os nossos lugares não podem ser comparados porque são demasiado íntimos. Onde existem, só nós os podemos ver. Há muitas camadas de invisível sobre as formas que todos distinguem. Não vale a pena explicarmos o nosso lugar, ninguém vai entendê-lo. As palavras não aguentam o peso dessa verdade, terra fértil que vem do passado mais remoto, nascente que se estende até ao futuro sem morte."
José Luís Peixoto
 
O Excerto lido por António Facundes....
 

 

 

E eu ainda acrescentaria, quem não sabe onde tem esse lugar vai passar uma vida a procurá-lo...
 
 

 
Título: Galveias
Autor: José Luís Peixoto
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 280
Editor: Quetzal Editores
ISBN: 9789897221798
 
 

Sinopse

Galveias está entre os grandes romances alguma vez escritos sobre a ruralidade portuguesa.
O universo toca uma pequena vila com um mistério imenso. Esse é o ponto de acesso ao elenco de personagens que compõe este romance e que, capítulo a capítulo, ergue um mundo.
Como uma condensação de portugalidade, Galveias é um retrato de vida, imagem despudorada de uma realidade que atravessa o país e que, em grande medida, contribui para traçar-lhe a sua identidade mais profunda.

Rugas de Paco Roca (Opinião)

Milheiras, 19.09.15

  A minha opinião:

É de uma maneira aparentemente leve, que Paco nos mostra um tema tão pesado e ao mesmo tempo de uma forma tão inusitada (Banda Desenhada).

Adoro este livro, quer a nível de trabalho, muitas vezes é uma das minhas ferramentas de trabalho. Quer como recomendação para quer quer descobrir o mundo da Gerontologia.

 

Excerto:

 

Imagem relacionada

 

Rugas

Título: Rugas
Autor: Paco Roca
Tradução: Joana Neves
 
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 160
Editor: Bertrand Editora
ISBN: 9789722525992
 
 
Sinopse
Emílio, um bancário reformado, sofre da doença de Alzheimer e é internado num lar de terceira idade. Rodeado de vários outros idosos, cada um com um quadro «clínico» distinto e com uma personalidade bem vincada, vai aprendendo as diversas estratégias para combater o tédio e a erosão da rotina. Ao mesmo tempo, Emílio e os seus companheiros vão tentando introduzir, num quotidiano marcado por medicamentos, refeições, «terapias ocupacionais» e sestas de duração indefinida, alguns vislumbres de encanto e alegria de viver

 

O Eléctrico 16 de Filomena Marona Beja

Milheiras, 20.09.14

O Eléctrico 16

 

 

Opinião:

 

Terminei hoje de ler este livro o Eléctrico 16.

Mais uma autora/Escritora que descobri e fiquei fascinada...

Vou querer ler outros livros da autora....

Um enredo fascinante passado entre 2 tempos, tão próximos e aos mesmo tempo tão distantes....

e mais uma vez a cumplicidade de relações entre a avós e netos...

Atrevo-me a dizer e a fotografia de um povo que se desiludiu com a democracia...E que a vai perdendo todos os dias...

 

Excerto:

 

"- Bem, vai lá....

E votar?

-... não vais votar, Fernanda?

- Eu?!

Nem sequer sabia onde estava inscrita.

 

(...)

 

Pouca gente pelas ruas.

Muito pouca a caminho da Escola secundária, ou das outras assembleias de voto.

- A abstenção vai subir...

Subia, de eleição para eleição.

- Mas não custa nada votar, Vó!

Pois não. Uns minutos numa fila, como se via na televisão.

Um papel dobrado em quatro. uma urna.

- E então?...porque é que as pessoas não votam?

Ter de escolher.Decidir.

Ou simplesmente por distracção.

 

Onze horas. A cadeira de Helena a chegar ao pátio da Escola. Joana empurrava.

Uma câmara a proximar-se. Jornalistas. Ia votar porquê?

Por ser livre de o fazer."

 

Sobre um vulcão de José Pereira de Lima

Milheiras, 18.09.14

 

Opinião:

 

Terminei de ler esta obra a 3 de Julho de 2014.

É uma obra fascinante, daquelas que temos em casa uma vida inteira e um dia decidimos arriscar e ainda bem que o fiz.

Não sei como foi parar lá a casa nem de quem era. Na Internet também não muitas informações sobre o autor.  Mas para mim este livro foi escrito por uma pessoa com uma genialidade incrível. E fez-me descobrir quem sou.

Datada de 1929 e editada pelo autor, ficamos a saber pelo prefácio que é a primeira obra de José Pereira de Lima.

No entanto o enredo tem lugar antes de 1910, mas se retirarmos a monarquia de campo, podia ser um enredo da actualidade.

E como é possível que um livro com quase 100 anos se mantenha tão actual. Digo eu: muito mal vai o nosso país, para não ter havido uma evolução...

Um livro de pequenas dimensões e de 201 páginas. Dos tais que eu gosto que são fáceis de ler mas que nos dão muito em que pensar.

 

Excertos:

 

(...)

 

" Não me prendo com dogmatismos, dizia ela, apesar de que aceito com a melhor vontade a moral e os belos conceitos espendidos nela. Quero crêr e compreender livre de peias e não admito nem regeito o que me dizem por me garantirem: - Isto é bom ou aquilo é mau. Tenho a minha convicção entrará no meu espirito."

 

(...)

 

" - Ah! É para lamentar!...Esquecia-me de que a menina não gosta destes graves assuntos...É uma revolucionária....Foi o que no colégio lhe souberam ensinar? Se eu tenho adivinhado! Nunca teria permitido que tivesse saído para longe de mim. Mas, gabaram-me tanto a educação cuidada que lá se recebia, que eu consenti para ma estragarem com ideias exquisitas.

- Exquisitas, não minha querida mãe, diga antes ideias novas, livres da rotina. Não me estragaram como julga, mas ensinaram-me a pensar pela minha cabeça e não pela dos outros. É o que é."

 

(...)

 

"a Igreja é o refúgio de todos os desgraçados, que não deixaram de ser socorridos e aconselhados por ela nos dolorosos transes da vida. O mesmo não sucede aos que aplaudem as ideias subversivas. O mínimo que lhes pode acontecer é duvidarem de tudo e de todos, até se toranrem materialistas, o que é mil vezes mais perigoso do que a morte: é o suicídio do espírito. perderam a consolação da fé, e crendo unicamente no nada, acabam por se matar, julgando põr termo a tudi, mas não dão mais do que o acesso aos horriveis sofrimentos que os esperam no inferno."

 

(...)

 

" - Direi que não é com esta rivalidade de crenças para crenças que se conseguirá melhorar o mundo; o ódio não se paga com ódio. (...) A minha filosofia que tanto condenam, só deseja harmonisar as diferentes crenças perante a minha consciência, porque, julgando-as todas sinceras, vejo que o seu papel é preponderante, beneficiando a humanidade, melhorando-a, educando-a e servindo de freio a ruins paixões.

 Já não estamos na Idade Média, mas im no sécuo XX, por isso temos de nos adaptar ao novo meio. devemos abandonar a rotina de tantos séculos para entrarmos plenamente na luz da alvorada que raia para a nova geração, estudando tudo, pondo de parte dogmas e mistérios, que o cérebro já não aceita sem protesto, e que é dever de todo aquele que pensa explicar ao vulgo que ainda não percebe."

 

(...)

 

" a filosofia da actualidade, aquela que sigo reconhece Deus, não um ser antromorfo, mas alguma cousa mais sublime e grande, alguma cousa que o olhar do homem não apercebe, que a sua mente não descortina, mas de que vê efeitos na inteligência, na influência, na força incalculável, na flôr que desabrocha, no arroio que sussura, na catarata que se despenha, pelas altas fráguas, num estrondear terrível, no raio que fulgura, no trovão que ribomba, na luz que nos deslumbra e no cérebro que pensa. É em tudo isto que eu vejo a acção de Deus, a força da providência, o poder da Natureza, nomes diferentes, com que os homens, de todas as épocas, têem procurado explicar tudo o que não entendem, tentando, em vão, definir com qualquer palavra o Incognoscivel, medir o Infinito de tudo o que nos rodeia."

 

(...)

 

" Vai raiar um novo sol de Liberdade espancando para bem longe a nuvens sombrias que nos asfixiam. As prerogativas doas grandes senhores cairão por terra como ídolos de barro; a igualdade será um facto; acabar-se-hão as distinções de classes, o povo, êsse bom povo trabalhador e obscuro, terá horas de paz e de felicidade, poderá, como os outros, ascender aos mais altos cargos, desde que tenha inteligência e seja honrado. Ha tantos talentos desconhecidos e ignorados nêsse pobre e humilde povo! É ver como qualquer ideia nobre e elevada lhes empresta uma eloquencia arrebatadora e os faz levar após si centenares de pessoas. Como é lindo o nosso sonho!"